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Dedicada à Redução de Custos, Aumento de Produtividade e Manutenção Industrial na Mina e na Planta
Dedicated to Cost Reduction, Productivity, Industrial Maintenance at the Mine and Plant
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Horizontes dourados*
Com o preço do ouro atingindo novos patamares e ultrapassando US$ 1.800/onça,
John Chadwick analisa as novas e antigas tecnologias visando à maximizar a recuperação do metal

A injeção de oxigênio é uma forma conhecida para aumentar a recuperação do ouro. A Oxygen Generating Systems Intl (OGSI) afirma que os operadores podem "aumentar a recuperação no processo de separação Merrill Crowe em até 99,7%. Melhore a recuperação do ouro e reduza os custos operacionais da mina - use o oxigênio diretamente do ar".
A OGSI projeta, constrói e instala sistemas industriais PSA, sob o regime turnkey, em todo o mundo. Os equipamentos, de fácil manutenção, são totalmente automáticos e produzem um fluxo contínuo de oxigênio diretamente aos tanques de lixiviação. Isso significa que o nível de oxigênio dissolvido no processo de lixiviação pode ser aumentado sem o custo e problemas de manuseio do oxigênio líquido. Há benefícios significativos.
O aumento no nível de oxigênio dissolvido na lama que contém o ouro melhora o processo de cianetação do ouro. A OGSI afirma que "as minas que operam com taxas de recuperação na ordem de 98,5% podem esperar o aumento na porcentagem total acima de 20 ppm, como resultado do aumento dos níveis de oxigênio dissolvido. A operação das plantas com recuperação inferior a 98,5% obterá um aumento ainda maior".
As plantas que operam com recuperação na ordem de 93% da prata contida na lama podem elevar a recuperação em 3%. "O processo de cianetação depende da reação do ouro, cianeto, água e oxigênio na lama. Quando a concentração de oxigênio dissolvido cresce, a quantidade de cianeto necessário pode ser diminuído em 25%.
E "uma porção do oxigênio gerado pode ser direcionado pelo gerador de ozônio e injetado diretamente ao fluxo de resíduos como um agente de oxidação ambientalmente aceitável. Uma redução na quantidade de cianeto necessária ao processo de lixiviação diminui sua presença também no fluxo de rejeitos".
A empresa afirma que "um investimento modesto de capital em um sistema OGSI pode se pagar em alguns meses. Nossos geradores consomem apenas 3 kW de eletricidade por 2,8 m3 de oxigênio produzido. Um gerador de oxigênio instalado no local é a melhor forma de eliminar fornecimentos perigosos, caros e não confiáveis de oxigênio líquido".
Os Sistemas MultiMix (MMS) medem o sucesso do injetor de oxigênio apurando as variações na recuperação final do ouro, taxa de dissolução do metal, consumo de cianeto e de oxigênio. A fim de permitir a avaliação objetiva da recuperação final do ouro e da cinética da lixiviação, o MMS desenvolveu um procedimento de modelagem estatisticamente sólido.
À medida que as minas se esforçam para aumentar a produção e o teor do ouro, passou a ser cada vez mais comum para as equipes da planta de extração detectarem quantidade crescente de ouro no rejeito. A MMS afirma que, em geral, isso é o resultado de não se movimentar o carvão pelo circuito de adsorção com suficiente rapidez.
A capacidade inadequada de separação, principalmente nos circuitos que empregam o processo Zadra de extração, algumas vezes, é o fator de limitação. No processo de separação, em geral, é o desempenho da eletro-recuperação (EW) que determina o volume máximo de separação de ouro.
"A produção do minério e o teor são limitados pela natureza do corpo mineralizado e pela capacidade dos equipamentos da planta de alimentação. Salvo se combinado pelo aumento na taxa da remoção do ouro, o aumento na quantidade do ouro resulta em maiores cargas no carvão e na estabilização da carga no carvão ao longo do circuito de adsorção. Finalmente, as perdas do ouro solúvel tendem a aumentar. O controle das perdas do ouro solúvel requer o aumento da taxa de carvão através dos circuitos de adsorção e de separação. Não é incomum encontrar o tempo do ciclo da eletro-recuperação ditando o volume de extração".
Flash para aumentar a recuperação
Rob Coleman, Líder de Tecnologia - Flotação, da Outotec para o sudeste da Ásia-Pacífico, observa que a Flotação Flash é a flotação "instantânea" das partículas de alto teor liberadas com a carga de recirculação no circuito de moagem. O conceito existe há quase 80 anos mas, apenas recentemente os circuitos em grande escala com essa tecnologia começaram a ser usados.
A Flotação Flash funciona bem por que, ele afirma, "os minerais valiosos são menos duros em comparação às rochas hospedeiras, com uma densidade significativamente maior de sólidos, que tendem a se concentrar na carga re-circulante do circuito de moagem. Isso pode levar a uma moagem excessiva de minerais valiosos até que apareçam no overflow do ciclone, o que por sua vez pode causar recuperação mais baixa no circuito de flotação.
Em comparação, as condições de flotação são significativamente melhores no underflow do ciclone do que no overflow do ciclone (alimentação da flotação), dada a presença de partículas liberadas pela flotação rápida no fluxo. As partículas de underflow do ciclone também tendem a apresentar superfícies mais limpas, menos oxidadas e finas demais para a flotação (menos lama).
"Portanto, instalar uma célula de flotação projetada especialmente para essa finalidade no circuito de moagem pode melhorar significativamente o desempenho da planta. Existem vários tipos de Flotação Flash no mercado, mas como este processo é bastante complexo "para fazê-lo funcionar corretamente", é muito importante escolher um fornecedor com experiência e um histórico de sucesso".
A alimentação para o o SkimAir da Outotec origina-se de uma caixa de distribuição que divide o underflow do ciclone. Tipicamente, da metade até dois terços do underflow do ciclone é desviado ao SkimAir. O resto do fluxo retorna à alimentação do moinho. A água de diluição é adicionada para que a densidade dos sólidos fique em torno de 65%.
"Embora o ótimo desempenho da flotação dependa de uma densidade mais baixa de sólidos, isso exigiria mais água de diluição," Coleman explica, "e como a maior parte da alimentação transfere-se para os rejeitos, a água adicional retorna ao moinho, reduzindo o rendimento. Assim, é um ato de equilíbrio entre o rendimento do moinho e o desempenho do SkimAir.
"As partículas com dimensões adequadas na alimentação entram em contato com o ar no mecanismo, e as partículas liberadas pela flotação rápida vão até a superfície e, em seguida, são recuperadas no concentrado. A massa a ser adicionada ao concentrado é de apenas 1 a 2%, e sendo de qualidade superior pode ser misturada diretamente com o concentrado do circuito convencional."
As partículas na alimentação que são muito grosseiras para flotar são encaminhadas aos rejeitos, através do tanque cônico. Estas partículas simplesmente contornam o SkimAir e retornam ao moinho. Portanto, a dimensão das partículas, na alimentação do SkimAir, pode ser de até 10 mm. Em outras palavras, a unidade funciona como uma célula de flotação e um classificador.
"Há muitos armadilhas quando se processa densidades altas de sólidos e uma ampla distribuição por tamanho da partícula," avisa Coleman. "Incluem-se aí a suspensão deficitária de sólidos e de areamento e mistura inadequada de água e sólidos no tubo de alimentação. Além disso, o cone impulsionador de espuma precisa ser dimensionado corretamente para obter fluxo correto de concentrado e teor. A operação deficiente do circuito de Flotação Flash pode ter um impacto prejudicial significativo no rendimento e desempenho do moinho.
Contudo, a Flotação Flash pode evitar a super moagem dos minerais valiosos e a geração de lodo. Outra vantagem importante é que o SkimAir oferece uma proteção ao circuito convencional de flotação quando a taxa de alimentação for altamente variável. Quando as taxas de alimentação são altas, o SkimAir pode recuperar o metal adicional para produzir uma alimentação mais estável ao circuito de flotação convencional. Em geral, esta vantagem é ignorada.
"À medida que o mineral liberado na flotação rápida é removido do circuito de moagem, o tamanho do circuito de flotação inteiramente novo também pode ser reduzido," continua Coleman. "A partícula concentrada no SkimAir também é mais grosseira do que a flotação convencional, assim quando adicionada ao concentrado final, melhora o desaguamento, reduz os custos da filtragem e a umidade final no concentrado".
Na Flotação Flash convencional, a unidade SkimAir é usada como uma célula independente para a produção de concentrado de primeira qualidade. Coleman explica que o segundo método, Flash Roughing é, "exclusivo da Outotec. Compreende dois estágios com o SkimAir como desbastador, operando em tempos de residência mais longos e massas maiores, a fim de produzir um concentrado de menor qualidade e alta recuperação. O concentrado SkimAir é, então, tratado por meio do Outotec TankCell® Flash CleanerTM para produzir um concentrado de primeira qualidade. Caso o concentrado do SkimAir seja alto em ouro livre, um dispositivo de separação a gravidade é instalado entre o Flash RougherTM e o Flash Cleaner para recuperar o ouro livre diretamente".
O SkimAir teve significativo sucesso nas aplicações em ouro, PGMs, cobre, níquel, chumbo e prata, observa Coleman. Uma operação com cobre, zinco e ouro no Canadá, obteve um aumento de 5% na recuperação do ouro e melhorias no circuito de cobre, sendo que o investimento na Flotação Flash foi recuperado em apenas três meses.
Uma mina australiana observou que a recuperação do ouro e do cobre aumentou em 2,5%, a capacidade do filtro de concentrados cresceu mais de 20% e a umidade no concentrado reduziu-se em 2%. Uma mina de ouro na Nova Zelândia recupera até 80% do ouro no SkimAir, que aumentou ainda a recuperação em 2,5%.
"Podemos agora fornecer as células da Flotação Flash que podem tratar até 2,400 ton/hora de sólidos em cada unidade", afirma Coleman. Ele também observa que "a maioria das grandes operações de ouro sulfetado, na Austrália, empregam a tecnologia de Flotação Flash da Outotec para recuperar o ouro liberado pela flotação rápida do underflow do ciclone no circuito de moagem".
Para determinar se o processo trará resultados, você primeiro precisa realizar os testes de flotação em laboratório. O Outotec dispõe de um procedimento de teste projetado especialmente para esse fim. "Se a flotação em laboratório apresentar altas recuperações para o mineral valioso (40% a 80%), com rendimentos totais da massa (inferior a 5%), então provavelmente a Flotação Flash será adequada," afirma Coleman. "Em segundo lugar, uma boa compreensão da mineralogia no underflow do ciclone também é necessária." As unidades piloto podem tratar entre 250 kg/h e 3 t/h de sólidos para testes adicionais.
Don J. Foreman, gerente de Produtos de Flotação a Ar Forçado e DO, da FLSmidth, concorda que "a flotação flash já se mostrou ser uma técnica eficaz na recuperação de minerais valiosos e liberados no circuito de moagem. Esta tecnologia já existe há certo tempo, e já registram diversos casos de sucesso dependendo da aplicação e do operador. Em geral, há certa dificuldade para definir se todos os benefícios são de fato mensuráveis ou reais. Em diversas plantas, estas células são vistas como ociosas, já que caíram em desuso ou não desempenham as funções básicas. Quase sempre há um compromisso inerente no desempenho da célula flash devido à necessidade de manter a alta densidade nos circuitos de moagem. A capacidade de moagem é, sem dúvida, uma prioridade na maioria das plantas que relutam a reduzir a densidade. A flotação, por outro lado, precisa gerar bolhas e direcioná-las e guiá-las para entrar em contato com as partículas minerais. Em densidades do circuito de moagem, isso é um desafio que afeta o desempenho da flotação, podendo também, afetar sua viabilidade.
"A FLSmidth desenvolveu uma solução inovadora a este problema -- para controlar o contato das partículas das bolhas da flotação com o meio ambiente, sem afetar o circuito de moagem. A patente pendente da FLSmidth para a "diluição intracelular" utiliza os padrões de circulação da célula de flotação Dorr-Oliver e uma nova tecnologia para autodiluição da lama na área do estator do rotor, na qual ocorre o contato com as partículas da bolha. A geração e aderência da bolha, uma vez que tenham ocorrido, são duráveis e não são afetadas pela alta densidade fora da área de contato. O controle sobre a densidade nesta área crítica pode ser aumentado pela adição de uma pequena quantidade controlada de água, se necessária, para impulsionar a geração de bolhas. Essa quantidade de água é insignificante para o volume total de lama, contudo é efetivo para o processo de flotação.
A FLSmidth instalou esta nova tecnologia de "diluição intracelular" na célula flash em uma planta de ouro, e considera este projeto como um enfoque singular para melhorar a flotação flash nas novas e atuais plantas, em que a densidade no circuito de moagem é uma limitação à flotação."
Há apenas um ano, a FLSmidth comprou a Summit Valley Equipment & Engineering, especializada na recuperação de ouro. A Summit Valley está presente neste segmento desde o início dos anos 90, e fornece carbono ADR e sistemas Merril Crowe, incluindo circuitos CIC, fornos de regeneração de carbono, sistemas de aquecimento de soluções, células EW, retortas de mercúrio, sistemas de captura e de redução de mercúrio, torres de desaeração, alimentadores de zinco - sendo esses apenas alguns itens da linha de processo. A Summit Valley fornece desde um item até os sistemas completos de processo para empresas EPCM e usuários finais de empresas de mineração.
Avanços do processo Albion
No início de janeiro, a EnviroGold comunicou que a construção de sua planta de processamento Albion para 75.000 onças-troy anuais de ouro, de sua propriedade, na República Dominicana, está em curso, após conclusão de todos os contratos de fornecimento de equipamentos e de construção. Nessa ocasião, dois dos três itens críticos de equipamentos mecânicos (moinho com bolas e Isamill) já haviam sido instalados. O terceiro item - planta de oxigênio modular, foi embarcado na Coréia do Sul, em abril de 2011, bem antes da data prevista.
O processo experimental de mineração dos depósitos de rejeitos de alta qualidade de Las Lagunas teve início entre abril e maio de 2011. O término da construção está previsto para o final de novembro de 2011, com a capacidade nominal de produção de ouro prevista entre dezembro de 2011 e março de 2012.
Las Lagunas deve produzir 65.000 onças-troy anuais de ouro e 600.000 onças-troy anuais de prata. O projeto possui um Recurso Mineral Inferido JORC (Joint Organisation Reserves Committee) de 5,13 Mt de rejeitos, com teor de 3,8 g/t de Au e 38,6 g/t de Ag.
A EnviroGold afirma que mantém contratos com a Xstrata Technology para usar o processo de tecnologia Albion, que permite extrair ouro e prata de minério refratário ou de rejeito de mina, além de eliminar a ameaça de drenagem ácida. A empresa utiliza ainda processos tradicionais por gravidade, carvão ativado ou lixiviação.
O Processo Albion da Xstrata é um processo de oxidação de sulfeto indicado para minérios refratários, e recuperação posterior dos metais preciosos por meio da tecnologia de extração convencional. É uma combinação de duas tecnologias: moagem ultrafina e lixiviação oxidativa à pressão atmosférica, que resulta na oxidação das partículas de sulfeto, facilitando a recuperação do metal.
A moagem ultrafina é essencial ao processo à medida que aumenta a área da superfície das partículas de sulfeto, melhorando a taxa de reações químicas na cadeia produtiva, bem como deforma a estrutura cristalina dos minerais, diminuindo a energia necessária para ativar a reação química. A moagem usa o IsaMill, uma planta de agitação horizontal, patenteada pela Xstrata Technology, que emprega uma série de discos rotativos no interior de uma carcaça estacionária para agitar pequenos grãos de cerâmica. Os grãos de cerâmica transferem energia às partículas de sulfeto, resultando em uma moagem ultrafina. Os grãos de cerâmica são inertes e não têm impacto na química da lama, já que fragmentam-se no decorrer do tempo, no interior do moinho.
Após o estágio de moagem ultrafina, a lama de sulfeto é transportada para uma série de tanques de agitação cobertos, onde o oxigênio é introduzido na base, alimentando uma reação química que resulta em geração de ácido e calor, à medida que o sulfeto oxida. O ácido e o calor, juntamente com o oxigênio, impulsionam a reação até a passivação da partícula de sulfeto com uma camada de gesso. Dada a natureza ultrafina da alimentação de sulfeto, até 94% das partículas podem ser oxidadas antes do término da reação.
O ácido gerado durante a oxidação dos sulfetos é neutralizado durante o processo, eliminando o risco de drenagem ácida a partir dos resíduos finais da lama. O Processo Albion pode oxidar os minérios com alta concentração de elementos tóxicos, como arsênico e antimônio, tornando-os estáveis nos resíduos.
Os parâmetros de operação e projeto para o Processo Albion são definidos pelo Laboratório de Testes HRL, em Albion, Brisbane. O laboratório conta com uma réplica da IsaMill em menor escala e diversos reatores Albion, bem como acesso a uma planta piloto da Albion, desenvolvida primeiramente para a Xstrata visando a um estudo de viabilidade da mina de ouro de Pueblo Viejo, que é o depósito originário dos rejeitos de Las Lagunas.
A EnviroGold afirma que "a necessidade de capital para o Processo Albion é muito menor que as tecnologias alternativas de oxidação, como a modalidade sob pressão, ao passo que a complexidade química do processo é menor que a oxidação bacteriana, que requer a manutenção de bactérias vivas, que podem ser sensíveis às mudanças na química e temperatura do minério". A EnviroGold pretende usar o processo Albion em duas minas vizinhas no Equador, cuja produção prevista é de 100.000 onças-troy anuais de ouro em cada uma.
Oxidação biológica
A área Barberton da África do Sul está acompanhando um relançamento - em parte como resultado do uso da tecnologia de processamento de Oxidação Biológica BIOX, da Gold Fields, para o tratamento de minério refratários de sulfeto. A subsidiária da Pan African Resources, Barberton Mines, é o principal produtor na área. A empresa opera três minas antigas de ouro - Fairview, Sheba e New Consort - todas as três com longo histórico e localizadas a apenas alguns quilômetros entre si - na verdade, Fairview e Sheba são interconectadas. Os concentrados das três minas subterrâneas são tratadas através da planta de BIOX e, atualmente as recuperações chegam a 98% do ouro contido. Desta forma, a Barberton Mines está produzindo em torno de 100.000 onças-troy anuais e há planos para aumentar a capacidade em 50%, a curto e médio prazo, e talvez para 200.000 onças-troy a longo prazo. Essas expansões devem-se à melhoria das operações de mineração subterrânea. Há também um plano em andamento para avaliar o reprocessamento do material nas barragens de rejeitos, cujo teor fica entre 0.7 e 3g/t de Au.
A Barberton Mines é o nascedouro do BIOX, sendo ainda usada como instalação de treinamento para os operadores de todas as plantas similares no mundo. O processo utiliza uma combinação de três bactérias que ocorrem naturalmente: thiobacillus ferrooxidans, thiobacillus thiooxidans e leptospirillum ferroxidans, para dissolver a matriz mineral do sulfeto, liberando assim o ouro absorvido para posterior tratamento por cianetação.
As bactérias fixam-se às superfícies do metal sulfetado no mineral, resultando na sua oxidação acelerada. O processo BIOX envolve a alimentação contínua da lama concentrada produzida por flotação a uma série de reatores agitados. Os níveis baixos de pH e a alta temperatura da lama melhoram a eficiência do processo, sendo importante o controle desses parâmetros em faixas estreitas, a fim de manter o equilíbrio correto das bactérias e obter a melhor taxa de oxidação.
Os reatores são aerados e a temperatura da lama é mantida em torno de 40 a 45oC. Como as reações de oxidação dos minerais sulfetados são exotérmicas, é necessário resfriar os tanques para manter a temperatura da lama em uma faixa aceitável. O resfriamento é feito com a circulação da água e remoção do excesso de calor através de uma torre de resfriamento.
O nível do pH é controlado pela adição de calcário ou ácido sulfúrico na lama. Considerando que a oxidação direta de sulfeto requer altos níveis de oxigênio, devem ser injetados e dispersados grandes volumes de ar na lama.
O tempo total de residências nos reatores de bio-oxidação, que é principalmente uma função da mineralogia, varia entre quatro e seis dias. Para um minério em que o ouro é contido, principalmente, em arsenopirita, o tempo de residência é menor do que aquele em que o ouro é contido em pirita. Isto porque a taxa de oxidação é mais rápida no primeiro caso.
Alguns minérios precisam apenas de oxidação parcial do sulfeto para a liberação do ouro. O circuito pode ser simplificado para alguns minérios e o tempo de residência reduzido para dois dias ou menos.
Durante o processo de oxidação por bactérias, os elementos como ferro, enxofre e arsênico são dissolvidos. Após a oxidação, o produto BIOX é lavado em um circuito de decantação contracorrente e a solução é neutralizada em um processo controlado de dois estágios, com calcário e/ou cal. Os precipitados formados atendem aos padrões ambientais definidos nos Estados Unidos, podendo ser depositados, com segurança, nas barragens de rejeitos. Desta forma, o BIOX é um meio não poluente, limpo do ponto de vista ambiental, para tratamento de minério refratário.
Para economizar água, o efluente neutralizado pode ser misturado aos rejeitos da flotação e espessado. A solução de overflow pode ser reciclada como água de diluição na moagem, flotação e seções BIOX da planta. Isso torna o processo mais compatível com as regiões áridas. O produto BIOX lavado é tratado em uma planta convencional com cianetos, a partir da qual, o ouro finalmente é recuperado.
Planta pioneira na China
A Inter-Citic Minerals está desenvolvendo o fluxograma, usando o BIOX, com o objetivo de construir uma planta associada de oxidação por bactérias e concentrador, em seu projeto Dachang, na Província de Qinghai, na China.
Nos últimos seis meses, a empresa realizou diversos programas de testes metalúrgicos na China, Austrália e África do Sul. O objetivo dos testes foi a validação dos testes anteriores visando a oferecer maior segurança quanto ao desempenho metalúrgico da rota proposta para a produção de ouro de Dachang.
Em torno de 30 kg de concentrado para Teste Contínuo e Ampliado de Flotação (ECT), com teor médio de 26.9 g/t de Au, 8,6% de S2 e 4,48% de As, foram embarcadas à SGS Laboratories, em Johanesburgo, para teste de oxidação bacteriana e BIOX®. Os testes foram supervisionados por Gold Fields Group Services. Este programa foi concluído em janeiro de 2011, e a Gold Fields confirmou que o concentrado da Dachang era compatível com o processo BIOX, e que a planta de BIOX poderia obter uma recuperação do ouro em solução entre 93,3 e 93,5%, na planta CIL subsequente.
A Inter-Citic considera que a recuperação previsível de ouro da mineralização típica de Dachang possa ser estimada em torno de 87,8%, composto de recuperação de flotação de 94,9%; recuperações BIOX®/CIL de 93,4% e recuperações estimadas na sala de ouro em torno de 99,0%. Além disso, os testes confirmaram que a granulometria efetiva da moagem para o projeto Dachang poderá ser aumentada, de P80 de 75 micra para P80 de 160 micra, representando uma significativa economia nos custos de moagem.
A REBgold observa que o uso de roasting para os minérios refratários está se tornando cada vez mais inaceitável, devido à produção de gases sulfurosos, ou seja, emissões que geralmente contém arsênio e causam danos ao meio ambiente. "A biolixiviação é uma técnica ambiental alternativa, que não resulta em emissões gasosas, e em geral, trata-se de uma alternativa mais barata do que os dois métodos de roasting e outros (como a lixiviação sob pressão), que também poderiam ser considerados. Nas aplicações comerciais do ouro para as quais têm sido utilizada a biolixiviação, a técnica já mostrou ser possível obter melhorias na recuperação do ouro de 20% sem o pré-tratamento de biolixiviação, para mais de 90%.
A REBgold utiliza cultura de bactérias do meio ambiente aplicando-as de forma a acelerar o processo natural de degradação do sulfeto em até 500.000 vezes. Não há "reengenharia" ou manipulação dessas bactérias naturais, mas a REBgold usa seu conhecimento e experiência em isolar e aplicar as bactérias, e de criação do ambiente perfeito para que possam operar de maneira eficaz. Isso converte um processo natural e lento em um processo econômico e comercial para a extração do metal, sem prejuízo ao meio ambiente. O único subproduto da biolixiviação é um ferro inerte ou precipitado de arseniato de ferro, que é benigno, do ponto de vista ambiental.
No processo (BACOX), as bactérias devem ser fornecidas com ar, pequenas quantidades nutrientes como fertilizante simples e estar em bom contato com os minerais que serão oxidados. Por esta razão, emprega-se uma série ou cadeia de tanques de agitação aerada. A pasta de minerais (ou um concentrado) é introduzida no primeiro tanque com o produto oxidado retirado do último tanque. A oxidação dos sulfetos ocorre à medida que a polpa avança pela série de tanques, em um período típico, que dura de quatro a seis dias.
A tecnologia BACOX foi usada comercialmente pela primeira vez na mina Youanmi, na Austrália Ocidental, em 1994, sendo usada uma cultura termofílica nesta primeira aplicação. Como o nome sugere, era uma cultura que operava bem por degradar os minerais a uma temperatura um pouco mais alta (em torno de 50o C). Os termófilos e outras bactérias são, em geral, encontrados em ambientes acidificados, produzidos pela oxidação do enxofre, por exemplo, em e ao redor de termas quentes, regiões vulcânicas e áreas ricas em sulfeto.
Desde a primeira aplicação do BACOX, na Austrália Ocidental, duas outras operações de ouro, uma na Tasmânia e uma na China, já usaram a tecnologia para o tratamento de concentrados. Essas últimas aplicações já usaram mesófilos, que operam a uma temperatura mais baixa e demonstraram bom resultado no tratamento de grande variedade de minerais a base de sulfeto.
A REBgold está conduzindo testes de biolixiviação nos concentrados produzidos no projeto Jeronimo, da Yamana Gold, ao norte do Chile. Caso os resultados sejam satisfatórios, a Yamana pagará 1% líquido de royalty sobre a produção do metal para a REBgold, sobre a produção gerada a partir dessa tecnologia.
*Texto publicado na edição maio 2011 da revista International Mining, parceira exclusiva no Brasil da Minérios & Minerales


sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Fonte: Padrão
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